sexta-feira, 25 de abril de 2014

Dançar nas nuvens

Devaneios fotográficos maio 2012

"Se te aproximares eu salto!" Assim parece ela dizer, num simples retrato encaixotado na moldura de uma janela, tendo por cenário um céu pincelado a cores de nuvens.
 
Gingar de anca, abraçado no encarnado do que está por despir. Roupas não têm lugar na dança das nuvens.
 
Pé ante pé, uma mão segurando o abismo, a outra balbuciando convite para aproximar. Desafio, ou ameaça? Aproximar, ou seguir sentido oposto?
 
Encantamento do olhar, focado num rosto que se resguarda, onde o cabelo reforça a forma do mistério.
 
"Tens de largar a mão!" Eis o que anseia ouvir, quando o tempo sente, o espaço deseja e a solidão se apodera. Solidão, essa forma monstruosa da miséria humana.
 
Não é de solidão que se trata, não aquela que se define pelo oposto à presença próxima de alguém ou algo. Serenidade rítmica, apelativa ao olhar num salto de fé, onde o abismo é vencido pela força magnetizante do horizonte, oferecido pela mais pura das danças.
 
Bailarina que fazes dançar, ninfa dos tempos modernos... já és vista, já és sentida; os sentidos despertam, a mão é agora agarrada, a outra liberta-se para fechar a janela.
 
Que a dança se inicie, com a sofreguidão da primeira golfada de respiração após um longo coma. Nas nuvens se sentem - nas núvens- pois no solo não há essa possibilidade!
 
Na janela que tudo mostra, apenas tu és vista!

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